Uma única noite como poucas sextas feiras.
Início de uma madrugada morna.
Algumas horas antes caia a chuva,
como que homenageando o começo da primavera.
Bares quietos. Cerveja suando sobre a mesa
como que completando parte da vida
de um aprendiz de escritor
Parecia um grande e épico espetáculo
de superação e sobrevivência ao avesso
Máquinas lotadas de ávidos sonhadores.
Sonhadores lotando ávidas máquinas
com seus minguados salários
Espectadores como que encantados/hipnotizados
pelo brilho e piscar das luzes que circulam
no interior dos coloridos painéis
Uma criança completa prematuramente o ciclo da vida.
Torna-se adulto e decreta sua existência
antecipando e vivendo sua própria morte.
E Quanto a vida?
Como questionar a razão de ser
sem cair no velho clichê?
Quanto tempo para descobrir o caminho?
Quanto tempo para encontrar a paz?
Quanto investir para garantir o retorno...
Da esperança num mundo moderno
Sem guerras
Sem miséria
Sem fome
Sigo caminhando diante de minha própria sombra
Como que tendo a luz explodindo por traz dos ombros
O ronco esgarçado de máquinas
Trocando marchas, trotando estradas
montadas por deuses e deusas da noite.
Quanto investir para garantir o retorno da esperança?
Rio de Janeiro, 29/09/2007.
Wellington França
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