quarta-feira, 26 de novembro de 2014


O que era sonho 
tornou-se Vida. 
E ainda sinto vertigem 
saltando dentro de mim 
de alegria e de afeto. 

Por sorte ou por destino, 
sinto que respiro 
e por ti me re inspiro.



CONHECI O JONGO PELA PROFESSORA JÉSSICA CASTRO
A ARTISTA JÉSSICA NA UNIVERSIDADE DAS QUEBRADAS
TRÊS SINGULARES ENTIDADES
AQUI SINGELAMENTE REVELADAS
À UM POETA DE MUITAS ESQUINAS.






quarta-feira, 19 de novembro de 2014



 O menino leu muito bem um poema do fanzine e depois li para ele um texto do Poeta Sérgio Vaz. Ele então disse que não gostou. Perguntei por que? Ele diz: "Não tem as letrinhas que combinam!" Demorei um pouco para entender mas descobri que poema para ele tem que ter verso que rima. Parece que nenhuma das explicações sobre teoria literária e acadêmica que pude dar na hora foi convincente ao baixinho!
28 de dezembro de 2013

terça-feira, 18 de novembro de 2014


Mahatma Gandhi

Ensaia um sorriso
e oferece-o a quem não teve nenhum.
Agarra um raio de sol
e desprende-o onde houver noite.
Descobre uma nascente
e nela limpa quem vive na lama.
Toma uma lágrima
e pousa-a em quem nunca chorou.
Ganha coragem
e dá-a a quem não sabe lutar.
Inventa a vida
e conta-a a quem nada compreende.
Enche-te de esperança
e vive á sua luz.
Enriquece-te de bondade
e oferece-a a quem não sabe dar.
Vive com amor

e fá-lo conhecer ao Mundo.

5 Frases de Mahatma Gandhi

O Desfile


Pablo Neruda


Diante de Mao TseTung
o povo desfilava.
Não eram aqueles
Famintos e descalços
que desceram
as áridas gargantas,
que viveram em covas,
que comeram raízes,
e que quando baixaram
foram vento de aço,
vento de aço de Ien-an e do Norte.
Hoje outros homens desfilavam,
decididos e alegres,
pisando fortemente a terra libertada
da pátria mais larga.

E assim passou a jovem orgulhosa, vestida
de azul operário, e junto a seu sorriso,
como uma cascata de neve,
quarenta mil bocas têxteis,
as fabricas de seda que marcham e sorriem,
os novos construtores de motores,
os velhos artesãos do marfim.
andando, andando
diante de Mao,
toda reunida a China, grão a grão,
de férreos cereais,
e a seda escarlate palpitando no céu
como as pétalas enfim conjugadas
da rosa terrestre,
e o grande tambor pesava
diante de Mao,
e um trovão escuro
dele subia saudando-o.
Era a voz antiga
da China, voz de coro,
voz do tempo enterrado,
a velha voz, os séculos
o saudavam.
E então como uma árvore
de flores repentinas
os meninos, aos milhares,
saudaram, e assim
os novos frutos e a velha terra,
o tempo, o trigo,
as bandeiras do homem por fim reunidas,
ali estavam.

Ali estavam, e Mao sorria
porque lá das alturas
sedentas do Norte
nasceu este rio humano
porque das cabeças de moças
cortadas pelos norte-americanos
(ou por Chiang Kai-Check, seu lacaio)
nas praças,
nasceu esta vida enorme.
Porque do ensinamento do Partido,
com pequenos livros mal impressos,
saiu esta lição para o mundo.
Sorria, pensando
nos ásperos anos passados,
a terra cheia de estrangeiros, fome
nas humildes choças,
o Yang Tsé mostrando em seu lombo
os répteis de aço
encouraçados
dos imperialistas invasores,
a pátria saqueada
e hoje, agora,
limpa a terra,
a vasta China límpida
e pisando o seu chão.

Respirando a pátria
desfilavam os homens
diante de Mao
e com sapatos novos
golpeavam a terra,
desfilando,
enquanto o vento nas bandeiras vermelhas
brincava e no alto

Mao Tsetung sorria.

sábado, 8 de novembro de 2014

POEMA DE NELSON MANDELA



"Nosso medo mais profundo
não é o de sermos inadequados.
Nosso medo mais profundo
é que somos poderosos além de qualquer medida.
É a nossa luz, não as nossas trevas,
o que mais nos apavora.
Nós nos perguntamos:

Quem sou eu para ser Brilhante,
Maravilhoso, Talentoso e Fabuloso?
Na realidade, quem é você para não ser?

Você é filho do Universo.

Se fazer pequeno não ajuda o mundo.
Não há iluminação em se encolher,
para que os outros não se sintam inseguros
quando estão perto de você.

Nascemos para manifestar
a glória do Universo que está dentro de nós.
Não está apenas em um de nós: está em todos nós.
E conforme deixamos nossa própria luz brilhar,
inconscientemente damos às outras pessoas
permissão para fazer o mesmo.
E conforme nos libertamos do nosso medo,
nossa presença, automaticamente, libera os outros."

Nelson Mandela

Movilización zapatista en apoyo a la Marcha nacional por la paz y la jus...

Nathalie Cardone Comandante Che Guevara Hasta Siempre

«As Portas que Abril Abriu» - José Carlos Ary dos Santos



SOB O VERMELHO DOS CRAVOS DE ABRIL

Mercedes Sosa - Solo le Pido a Dios

A Resposta

Bei Dao


A degradação é o passaporte do vilão,
A nobreza é epitáfio do nobre.
Olhe: como o céu dourado é inundado
do reflexo das sombras torcidas dos mortos.

Passada a época do gelo,
Por que ainda há gelo em toda a parte?
Já foi descoberto O Cabo da Boa Esperança,
por que mil velas ainda competem no Mar Morto?

Eu vim para este mundo
trazendo apenas papel, corda e sombra,
para anunciar antes do julgamento
a voz que tenha sido julgada:

Tenho de lhe dizer, mundo,
Eu-não-acredito!
Mesmo que haja mil desafiantes a seus pés,
conte comigo como o milésimo primeiro.

Não acredito que o céu seja azul;
Não acredito em ecos do trovão;
Não acredito que os sonhos sejam irreais;
Não acredito que a morte não seja retaliada.

Se o mar é destinado a quebrar os diques
deixe todas as águas amargas me encherem o coração;
Se o continente é destinado a crescer
deixe a humanidade optar por outro pico da existência.

Novas mudanças e estrelas a brilhar
estão a adornar o céu sem obstáculos;
São pictogramas de cinco mil anos.
São os olhos atentos das gerações futuras.

《回答》

卑鄙是卑鄙者的通行证,
高尚是高尚者的墓志铭,
看吧,在那镀金的天空中,
飘满了死者弯曲的倒影。

冰川纪过去了,
为什么到处都是冰凌?
好望角发现了,
为什么死海里千帆相竞?

我来到这个世界上,
只带着纸、绳索和身影,
为了在审判之前,
宣读那些被判决的声音。

告诉你吧,世界
信!
纵使你脚下有一千名挑战者,
那就把我算作第一千零一名。

我不相信天是蓝的,
我不相信雷的回声,
我不相信梦是假的,
我不相信死无报应。

如果海洋注定要决堤,
就让所有的苦水都注入我心中,
如果陆地注定要上升,
就让人类重新选择生存的峰顶。

新的转机和闪闪星斗,
正在缀满没有遮拦的天空。
那是五千年的象形文字,

那是未来人们凝视的眼睛。
Menezes Jr, A. - Bei Dao e a Era Glacial: Tradução e Comentários do 
poema “A Resposta” (回答) 

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Meu Melhor Verso




Vladimir Maiakovski 

O auditório arremessa
suas perguntas ferinas,
insiste num desafio de papeletas:
“Camarada Maiakóvski,
leia seu melhor verso”.

Enquanto penso
talvez ler-lhes este
apanhado sobre a mesa
ou talvez aquele outro;
enquanto revejo
meu velho arsenal poético
e, muda, a sala espera,
o secretário do O Operário do Norte
lentamente
a meu ouvido
disse...

E eu gritei, saindo do tom poético,
mais alto do que as trombetas de Jericó:
“Camaradas:
Os trabalhadores
e as tropas de Cantão
tomaram Xangai!”

Como se amassassem o aplauso
com a palma das mãos
crescia a ovação,
crescia em força.

Cinco,
dez,
quinze minutos,
o salão aplaudia.

Parecia que a tormenta
cobria léguas e léguas
em resposta a todas as notas chamberlênicas
e rodava até chegar à China,
afastando os torpedeiros de Xangai.

Não comparo
a melhor geleia poética,
qualquer das maiores glórias poéticas,
com a simples notícia de jornal,
se a esta
nosso auditório aplaude.

Haverá por acaso
liga de maior força
que a solidariedade
da colmeia operária?

Aplaude,
obreiro têxtil,
aos desconhecidos
e queridos
coolies da China!

Tradução de Emilio Carrera Guerra