sábado, 2 de novembro de 2013

PALAVRA DE QUEBRADEIRO

Venho aqui, Amigo e amiga
do bar, do salão
ou das Quebradas,

anunciar,
texto embriagado,
pretenso candidato
à poema de fato:

Poesia de Esquina
onde moro e vivo,
não precisa,
de canhão de luz ou palco.

Pode ser,

de letrinha rasteirinha
ainda assim de salto alto,
falando pouco de um quase tudo
fazer do mundo seu arauto.
Expandindo corpo em único ato.
Abrindo veias, expondo valas.
Escandindo líricos e épicos versos
de todas as Rocinhas.

Lavrando vaias às velhas crendices
de loucos estados em desalinho
multando o lixo no caminho.

Mistura academia e pergaminho
Com musica de lata na lata
do rico Rio vizinho
de colarinho.

E o Rio abusado?
Querendo ser
capital da poesia!

Precisa lembrar com respeito
que “no lado de cima
do estomago vazio”
Segundo Dom Salgado Maranhão,
jorra no peito do povo
verdades e fantasias
de todas as praças e etnias
com eiras, beiras.
Tristezas e alegrias.
A massa forte e resistente
de nossa sorte, vida e morte,

Nordestina.

sábado, 26 de outubro de 2013

Sono

Prisão permanente.
Dependente da noite
alternada,
entre Sol e mente.
Cantada,
entre luz e alma.

Sono sem dia, sem noite.
Metáfora da morte
Delírio de dor ou paz.
Afunda.
Sufoca.
Lança leve
espírito no ar.

Corpo bailando corpo.

Costas ao mar.


domingo, 16 de junho de 2013

MANIFESTO



Poetas de todas as montanhas

que se movem.

Dos vales suburbanos periféricos

que se tecem.

De todos os Rios do mundo!

Uni-vos!

Apertem as mãos em todos os territórios

e gritem poesia!



NUM CERTO DIA DAS MÃES

Tem a mãe do Mundo
Mãe de Jesus
Tem a rainha dos mares
Mãe Iemanjá
Tem também a Mãe Menininha do Cantuá
E as mães de santo
de todos os tempos
que desde a mãe África
com pontos, plantas e riscados
desamarra os nós
que os maus tentam nos dá.
Tem mãe que de tão novinha e pequenina
até a gente confunde,
se o baby que leva no colo
é filha, sobrinha ou irmã.
Tem a mãe pátria
com hino, bandeira e brasão
e seleção brasileira
para nos fazer rir, chorar e gritar
de alegria, raiva ou comoção.
Tem mãe dengosa, calorosa, carinhosa,
faceira, furiosa e guerrilheira.
Mãe de juiz de futebol
que deus a tenha em bom lugar.
Tem mãe
que além de mãe também é pai
e se duvidar,
sem vacilar
Até prefere
que a chame de pãe!
Tem mãe que sofre calada
mas ainda assim valente,
dobra o tempo, o mundo e a gente,
quando resolve escrever em nossa mente
seu mais profundo sentimento
de santa imaculada.
Tem mãe que se pisa no calo
de sua semente
vira fera!
Com coração em fornalha
faz a até a III guerra
virar centelha, pulga ou fumaça!
Tem mãe que é cega
e mãe de visão.
Tem mãe que bate,
sofre igual dor
no coração.
E por falar em dor,
sente como ninguém
a dor de por no mundo!
E...
dor maior em na terra sepultar
Antes do tempo
seu pequenino rebento.
Mas...todas sem exceção
Vão sempre à luta
Derrubam montanhas
Para a defesa e o sustento
De sua prole em crescimento
Tem mãe torcedora
Mas que também vai ao campo de futebol
Marca, faz falta, bate penalty
Balança a rede
E faz o povo gritar: GOOOOOOOOOOOOOL!
TEM MÃE FAIXA PRETA DE KARATE
DE OUTRAS LUTAS E NEM SEI MAIS O QUE!
E outras passando a vida cantando
Como no karaokê
Mas sem fazer sermão
Vamos com respeito lembrar
Assim como tem
As mães da praça de maio
De nossa vizinha Argentina
Tem aqui o mês de maio
Que junto celebra a liberdade
A liberdade do filho negro escravo
Agora que me lembrei!
A que vim aqui convidado
foi para celebrar com sentimento
A homenagem do bar
do baixinho aqui ao lado
As mães que frequentam
Com fidelidade e carinho
Todas as festas
Neste mesmo cantinho
Como se fosse aqui
Seu segundo lar