terça-feira, 14 de agosto de 2007

BRINDE À ATRIZ YLANNA FERNANDEZ

Uma linda moça de tranças, passando por certo lugar, observa uma simples e pequena casa.
Inesperadamente um pássaro sobrevoa, como que dançando ao som de um bolero, em torno da moça para em seguida flutuar e desaparecer no quintal da casa.
Uma suave brisa de outono bate carinhosamente o portão As portas e janelas abertas para o olhar curioso da pequena moça de tranças.

A jovem, um pouco mais e suavemente aproxima-se. Do interior da casa brota uma melodia que parecia ser executada por harpas, flautas e bandolins. A sala estava totalmente vazia e com pouca luz. A moça de tranças avaliou, pensou, tornou a avaliar e decidiu a sala não ultrapassar. Voltou-se para o quintal.

Tinha o poder para trancar todas as portas. Transformar a pequena casa em um luxuoso palácio. Contudo sentiu que os ocupantes daquele lugar não o quisessem ou viessem a cometer erros que tornasse o (quase) palácio, em um frio e sombrio castelo.

A decisão de voltar-se para o quintal era aderente à sua personalidade, identificada com a liberdade da natureza (seu nome significa árvore). Iniciou com suas próprias e delicadas mãos o plantio de flores e frutas, embora pudesse criar o jardim com gesto mágico, num estalar de dedos.

Olhou para o interior da casa. Desejou luzes e cores. Pensou em novas janelas e cortinas em forma de véu e assim se fez. O jardim/pomar com uma explosão de sementes e flores arrebanhou novos, curiosos e coloridos visitantes.

Contemplativa, a pequena e poderosa deusa de tranças, atendendo um chamado em seu celular desapareceu em direção a outro planeta, na sua eterna missão de ajudar a manter o equilíbrio do Universo. Ao partir, deixou nos ocupantes da humilde casa sentimentos de paz, gratidão e amor.

Há! Ia me esquecendo! Outrora, antes da visita da pequena deusa havia se hospedado um errante e maltrapilho cara chamado Decepção. Mas já havia partido antes da chegada da pequena linda deusa de tranças.

Um dos ocupantes da casa, saudoso, escreveu: “Sou uma pequenininha, quase imperceptível peça do quebra-cabeça do mosaico de sua vida...”.

Nenhum comentário: